“Posso usar da palavra”, questiona – serenamente – a Matemática
Segunda-feira, a professora entra na sala de aula e pergunta aos alunos:
- Valendo um pontinho na média, Jenson Button já é o campeão mundial de 2009?
Começa, então, um burburinho pelas carteiras: a moral balança a “cabeça” em um ato de dúvida; a “expectativa” resume-se em um “tá pra ele!”; a “teoria” levanta discretamente a mão direita, que revela um sinal de positivo; o “favoritismo”, eufórico, berra do fundão – “e a senhora tem alguma dúvida?”.
Na primeira carteira da sala está a pensativa “matemática”. Espera passar a confusão pós-pergunta, levanta o braço direito, e pede a palavra.
- Todos podem dar opiniões; O “palpite”, estranhamente, nem se pronunciou. Mas, enfim, a “CDF” aqui sou eu; Portanto, aguardemos…
Como diria o poeta: falou a voz da razão. Em meio aos gritos desencontrados, o sábio levantaria e, com serenidade, indicaria o melhor caminho.
A matemática pode ser chata, implicante, soberba. Mas é ela quem embaralha, corta o maço, distribui os montes, pega o morto, faz a canastra real, e bate…
Na Fórmula 1, ela virou protagonista nos dois últimos mundiais. Kimi Raikkonen derrubou Lewis Hamilton na corrida final de 2007, mesmo com uma desvantagem de sete pontos. Em 2008, Felipe Massa estava seis atrás do mesmo adversário e, por 30 segundos, quebrou o provável.
Todos os outros fatores podem estar com Button. Menos a matemática. Ela é neutra: não tem crença, raça ou povo…
Por isso, não duvidem dela!
Falando em número, vamos pensar um pouco neles. Restando duas provas para o final da temporada 2009, Sebastian Vettel soma três vitórias e Rubens Barrichello duas. Portanto, empate em pontos está descartado para os dois pilotos em uma disputa com Button, que soma seis triunfos. A vitória, lembrando, é o primeiro critério de desempate.
Em Suzuka, o inglês teve chance de ser campeão mundial. Precisava, para isso, marcar cinco pontos a mais do que Rubens e evitar que Vettel descontasse cinco. Não conseguiu. Primeiro “match poit” desperdiçado…
Agora vem Interlagos. Button não precisa tirar mais pontos de ninguém. Cabe, apenas, aos dois adversários tirarem pontos do inglês. E, para que o campeonato chegue a Abu Dhabi – última corrida -, os números são esses:
Vettel x Button – Para o alemão, que precisa tirar sete pontos do líder, servem apenas o primeiro ou segundo lugares. Caso vença o GP Brasil, Vettel teria que torcer para Button ser apenas sexto. Terminando em segundo com sua Red Bull, o piloto da Brawn não poderia passar de um oitavo lugar.
Barrichello x Button – A situação do brasileiro é um pouco melhor, já que precisa descontar cinco pontos; Por isso, até um quarto lugar está valendo. Vencendo a prova, Butto pode chegar no máximo em quarto. Caso garanta o segundo lugar, o inglês não pode passar de sexto. Completando o pódio, mesma posição que conseguiu em 2004, Rubinho tem que ver Button até oitavo. Chegando na quarta colocação, pontos ao rival nem pensar.
Vamos deixar a matemática decidir… Afinal, são números importantes e decisivos, que garantem a reta final do campeonato um “Q” de emoção.
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