Para quem pensa que a Fórmula 1 vai rachar, pode tirar o “cavalinho da pista”. De fato a situação nunca chegou a um ponto tão crítico em 59 anos de história, mas os sinais de acordo são claros. Apesar de não parecer.

Primeiro é preciso se trabalhar em cima da condição que um grande “bode expiatório” foi entregue de bandeja por Max Mosley, usado como gancho pelas equipes para o início das argumentações. O tal teto orçamentário, usado como principal motivo para o racha, não passa de um “pequeno” detalhe de acerto de contas.

Os times, claro, não querem trabalhar com uma quantia tão enxuta, uma vez que isso refletiria em grandes demissões e projetos limitados, na contramão da “F1 excelência”. Outros pontos de discórdia também surgem nas discussões envolvendo FIA e FOTA (associação das equipes).

No entanto, alguém percebeu o silêncio misterioso de certo personagem acostumado a “meter o bedelho” em tudo?

Pois é; Bernie Ecclestone está de escanteio. Por opção dos envolvidos na discussão, que o teriam virado as costas?

Negativo, o buraco, de fato, é mais embaixo.

Ecclestone está quietinho por opção própria.

Antes de opinar, veja trechos do comunicado das equipes sobre o racha:

“(…) as equipes têm trabalhado juntas e procuraram envolver o detentor dos direitos comerciais da FIA para desenvolver e melhorar o esporte”

“Além disso, dezenas de milhões de dólares das equipes foram retidos pelo detentor dos direitos comerciais, desde 2006”

“Esta nova categoria terá um governo transparente, (…) incluindo a oferta de preços mais baixos para os espectadores em todo o mundo, bem como novos parceiros e acionistas”.

São trechos recortados de um comunicado de dez parágrafos. Direitos comerciais. Retenção de “dezenas de milhões”.

Ecclestone sumiu!

Então vem Christian Horner, chefe da Red Bull, uma das oito equipes envolvidas no racha, e diz: “Acredito que Bernie é a única pessoa que poderia encontrar uma solução para tudo isso”.

Ecclestone está envolvido até o pescoço nessa história, mas preferiu acompanhar tudo de fora. Deixou para ver até que ponto chegaria a discussão.

Agora, ciente de tudo, o “velho manager” da categoria deve se aproximar do imbróglio. Pode não ter em mãos ferramentas “sólidas” para resolver o problema, mas tem “tato” e “lábia” para colocar todos alinhados no mesmo tom de discurso. E pode falar num reajuste do repasse, o que sem sobra de dúvidas apaziguaria os ânimos.

Outro ponto é a queda de Max Mosley da presidência da FIA, que pode acontecer na reunião de conselho da entidade na próxima quarta-feira. Mas isso é apenas um detalhe na discussão toda.

Enfim, neste sábado deveria sair a lista oficial dos times que irão compor o grid de 2010. Lista adiada…

Natural!

Mosley já adota discursos políticos, como: “todos estarão alinhados no grid de Melbourne em 2010, ao meu lado!”.

A verdade é uma só. Existem muitos interesses comerciais envolvidos e um racha não seria positivo para nenhum dos lados. Seriam duas categorias fortes, uma com o poder das montadoras e altos recursos, e a outra com o forte nome “F1” e a marca de Federação; mas disputando o mesmo mercado e o foco de “categoria top” do automobilismo mundial. Não caberiam no mesmo espaço, e o que aconteceu com a Cart e IRL, voltariam a “se unir” no futuro.

O que aconteceu nos EUA, inclusive, foi um bom exemplo de 12 anos de racha desnecessário, que resultou na divisão de público, parceiros comerciais, direitos de transmissão, entre outros pontos, que não privilegiou nenhum dos lados. E se assim aconteceu, o outro lado sucumbiu (seria a Cart)…

Agora, no caso da F1, cabe a um dos lados afrouxar um pouco o nó, e ao que parece a iniciativa dessa vez partirá da FIA…

E, óbvio, com um dedinho de Ecclestone.