Fiquei um tempo sem escrever. Muitos compromissos e pouco tempo. Peço desculpas. Prometo ser mais assíduo. E, algumas vezes, ácido. Como agora, no tema que escolhi. Poderia escrever sobre o magnífico Hamilton, o mais jovem campeão mundial de Fórmula 1 da história. Ou do aguerrido Felipe Massa, que ressurgiu como piloto na última temporada, mostrando não dever nada a Hamilton e praticamente suplantou Raikkonen. Não, não falarei de nada disso. Mas falarei de deserção. De desistir. E covardemente. Peço que me perdoem pela rabugice e pela revolta!

Quanto a questão-título, a resposta: na melhor das hipóteses, vinte. Sim. E não se trata de uma visão apocalíptica deste mero escriba. Realismo, puro e simples, por mais duro que seja para todos nós, amantes do automobilismo. Depois da desistência da Honda, sobram dezoito carros.

O causador do desastre já foi identificado: a crise mundial. Evidentemente, este espaço não tem a finalidade de ser utilizado para discutir economia, mas custo a acreditar que a montadora japonesa, depois de anos tendo lucros estratosféricos, anuncie o “fim dos tempos” depois de um semestre ruim. É ridículo pensar desta maneira depois de simplesmente entupir as garagens mundo à fora de Fits e Civics.

Para mim, fica claro o seguinte: falta paixão! Falta Soichiro Honda, presidente da Honda na época em que Senna corria com seus motores. Um presidente da estirpe deste, jamais abandonaria o barco. Hoje, Honda não tem este tipo de comandante. As ordens são dadas por acionistas, diretores, conselheiros, gente selecionada por “headhunters” para dar lucro, que só enxerga números e cifrões e que muitas vezes sequer entrou numa fábrica e muito menos sabe distinguir a diferença entre um motor turbo e um aspirado.

É curioso que este tipo de gente seja responsável por decidir sobre o time na maior categoria do automobilismo mundial. Antagonismo puro!

São pessoas preocupadas com números e que, ao menor sinal de crise, resolvem desistir, cortar custos. Com a Honda fora da Fórmula 1, cerca de mil funcionários entram na fila dos desempregados. E é basicamente disso que se trata: demitir. Para eles, a Fórmula 1 que se dane. Algo que me irrita profundamente.

Não há paixão pela competição. Não há paixão pela Fórmula 1.

Agora, a equipe depende de um comprador para que o grid passe a ter os mesmos 20 carros do ano passado. Até um terceiro carro em algumas equipes já foi cogitado. Veja só onde isso vai chegar…

No fim, talvez Max Mosley tenha razão: as montadoras estão “se lixando” pra Fórmula 1, para a competição. Estão lá apenas pelos negócios e para satisfazer egos, de patrocinar um evento que viaja o mundo todo, ter motorhomes que mais parecem hotéis cinco estrelas. O que acontece nas pistas, pouco importa.

Que saudade da época em que as equipes eram praticamente oficinas de garagem. Por que ali havia paixão. Provavelmente o último remanescente desta época seja Frank Williams, que mesmo se arrastando em uma cadeira de rodas, luta como um leão para manter seu time em atividade, com todas as dificuldades impostas pela inflação dos custos promovida pelas mesmas montadores, que incorporaram e extinguiram times como a lendária Lotus, por exemplo, e que, sem cerimônia, abandonam o barco ao sentir a “primeira dor de barriga”.

Sinceramente, espero que consigam vender o que restou da Honda. Será triste ver somente dezoito carros alinhando no grid. A nós, cabe torcer. E esperar que as novas modificações do regulamento façam brotar a paixão pela competição e pela Fórmula 1. Não aos telespectadores, nem a mim e nem a você que está lendo este artigo, mas àqueles que realmente fazem parte do espetáculo.

Abraços, e até a próxima. Que não demorará muito!