O torcedor brasileiro teve bons (ou seriam maus?!) motivos para perder o sono na semana passada. Depois de uma derrota histórica contra a Venezuela, em amistoso lá pelos Estados Unidos, a Seleção amargou dois resultados nada favoráveis nas Eliminatórias à Copa da África do Sul, em 2010. No dia 15, o time de Dunga apresentou um futebol bem falsificado, qualidade inferior ao Made in China,  e perdeu para o Paraguai por dois a zero. Três dias depois, no Mineirão, empate sem gols contra a Argentina. Tudo bem que empatar com os hermanos, dado os talentos e o futebol que possuem, não é nenhuma catástrofe; acontece que estávamos mal (ou seria bem?!) acostumados com as recentes e convincentes vitórias nos amistosos, Copa das Confederações, Copa América…

Contudo, não é só brasileiro que perde sono. Não é só a seleção que causa insônia. Maximiliano Catania, a “metade-argentina” dessa coluna, assegura ter gastado boa parte da noite de segunda-feira na labuta, redigindo essa humilde coluna. Não obstante, Rafael Ligeiro também escreve à noite. Além do silêncio, esse é um dos poucos instantes em que seu velho e cansado computador decide funcionar…

A boa notícia é que enfim a dupla Catania-Ligeiro entrou num consenso. Ambos, pelo menos dessa vez, conceituam os 20 pilotos que disputaram um bendito GP de F-1, realizado na França, no domingo passado. A sintonia parece alta pois ambos tiveram conceitos semelhantes em 14 das 20 sentenças!

Alors, sans plus délai. Á lecture, frère!

FELIPE MASSA

Maximiliano Catania: Ótimo. Concentrado e tranqüilo, com um bom carro é invencível. Prova disso foi o GP da França 2008.

Rafael Ligeiro: Ótimo. Excetuando uma travadinha de pneus na volta derradeira do treino oficial, que custou-lhe a histórica pole número 200 à Ferrari, teve um desempenho irretocável em Magny-Cours. É bem verdade que a vitória tornou-se possível graças ao problema no carro de Kimi; mas Felipe só herdou a liderança porque teve competência para estar em instante e local corretos. Gol de rebote também vale!

KIMI RÄIKKÖNEN

MC: Ótimo. Quando a sua Ferrari estava se a desfazer, por problemas mecânicos, ele decidiu só chegar e somar pontos. Porém, foi o homem mais rápido do fim de semana.

RL: Ótimo. Se Kimi foi vitima do strike causado por Hamilton no Canadá, em Magny-Cours foi a vez do próprio carro prejudicar ao finlandês. Após marcar a 200a pole da Ferrari e liderar por quase 40 voltas,  o atual campeão viu o escapamento do seu carro soltar-se. Resultado: perda de potência do motor e da liderança da corrida. Em virtude da vantagem que construiu com méritos quando tinha carro inteiro, sequer teve o segundo posto ameaçado. Somou oito pontos preciosos na batalha pelo bicampeonato.

JARNO TRULLI

MC: Ótimo. Favorecido pelas punições aos carros da McLaren, voltou ao pódio depois de três anos.

RL: Ótimo. Sem deslizes e extremamente combativo. Cravou um excelente quarto posto à Toyota no treino oficial e segurou a pressão de gente com equipamento muito superior no GP. Lembrou o Trulli motivado e competitivo de 2004.

HEIKKI KOVALAINEN

MC: Bom. Penalizado em cinco posições por atrapalhar Mark Webber no treino oficial, teve uma participação inteligente. Dois destaques para Heikki: a audaciosa ultrapassagem sobre Nelsinho Piquet, logo depois de seu pit stop, e no final do GP, quando brigou com Jarno Trulli por um lugar no pódio.

RL: Bom. Ritmo forte durante toda a corrida, quase beliscou um pódio. Único motivo de comemoração pelos lados de Woking no fim de semana.

ROBERT KUBICA

MC: Bom. Corrida difícil. A vitória esteve longe e perdeu a liderança do campeonato para Felipe Massa. Mas, ele foi rápido e manteve-se no pelotão brigando por pontos.

RL: Bom. Surpreendentemente a BMW teve rendimento discreto desde os primeiros treinos e Kubica nem fez sombra à atuação vitoriosa em Montréal. No entanto, o polonês andou forte todo tempo; brigou pelo pódio e recebeu a quadriculada no quinto posto.

MARK WEBBER

MC: Bom. Aos poucos, o carro da Red Bull e seu piloto mostram-se consistentes.

RL: Bom. No duelo com o companheiro de equipe, Coulthard, perdeu apenas nos treinos de sexta. Superou o escocês no treino oficial e na corrida.

NELSINHO PIQUET

MC: Bom. Obteve sua primeira vitória: ultrapassou o companheiro de Renault, o espanhol Fernando Alonso, e somou dois pontos.

RL: Bom. Em um circuito que já conhecia, andou bem desde os treinos da sexta-feira. Ainda segurou a pressão do ex-rival de GP2, o inglês Lewis Hamilton, e aproveitou-se de um deslize de Alonso para faturar o sétimo lugar. Merece nossa confiança, claro.

FERNANDO ALONSO

MC: Regular. Arriscou para chegar no pódio, mas o carro não dá para façanhas não.

RL: Regular. Leão de treino, anotou o melhor tempo da segunda sessão livre de treinos da sexta-feira e foi terceiro colocado no grid. Mas perdeu posições na largada e, em um circuito quase nulo em ponto de ultrapassagens, ficou restrito apenas a pontuar. Errou no finalzinho da corrida e quase saiu de Nevers chupando o dedo…

DAVID COULTHARD

MC: Regular. Ele já não precisa demonstrar nada. Já faturou um pódio no ano e quase atinge a zona de pontos nesse GP.

RL: Regular. Menos de dois décimos de segundo mais lento que Webber no treino oficial, o escocês anotou um bom sétimo lugar no grid. Mas, assim como Alonso, largou mal.

LEWIS HAMILTON

MC: Regular. Não foi seu weekend, novamente. Mas, o inglês não perdeu a cabeça apesar dos erros e das penalizações.

RL: Péssimo. Esforçado e combativo até que ele foi. Contudo, pagou pela barbeiragem de Montréal. Largou apenas em 13o lugar, por conta da perda de dez posições pelo incidente na prova canadense. Para piorar ainda levou um drive-through por “cortar caminho” durante ultrapassagem sobre Vettel. É o número um da McLaren, mas, pelos últimos dois GPs, parece estar com vontade de entregar tal condição a Kovalainen…

TIMO GLOCK

MC: Regular. O alemão foi eclipsado pelo companheiro de Toyota, o italiano Jarno Trulli, no domingo.

RL: Ruim. Levou seis décimos de Trulli no treino oficial, um no primeiro treino livre e três no segundo. Não que seja demérito perder ao combativo piloto de Pescara. Mas, levando-se em conta a disputa equilibrada no time japonês na etapa passada, em Montréal – aliás, vencida por Glock, fica claro que o germânico ficou abaixo do que poderia render.

SEBASTIAN VETTEL

MC: Bom. Um grande piloto num time pequeno.

RL: Bom. Top-ten nas duas sessões de treinos da sexta-feira, continua no comando da Toro Rosso. Melhor definição para a participação na atual temporada? Fácil. Chassi: Toro Rosso. Motor: Sebastian Vettel.

NICK HEIDFELD

MC: Ruim. Esperava-se mais um pouco dele no GP, depois do segundo lugar no Canadá.

RL: Péssimo. É bem verdade que a BMW Sauber mostrou rendimento bem inferior ao exibido na etapa passada. É bem verdade que Magny-Cours é osso duro de roer no quesito ultrapassagem. É bem verdade que Robert Kubica é um piloto muito acima da média na F-1 atual. Mas, cá entre nós: ao menos, Nick poderia ficar nem tão distante do polaco e lutar por pontinhos…

RUBENS BARRICHELLO

MC: Regular. Melhor do que seu companheiro de equipe, mas o time não dá certo.

RL: Regular. Dizer o quê…? Fez o que pôde.

KAZUKI NAKAJIMA

MC: Regular. A Williams precisa melhorar para sair do meio do pelotão.

RL: Regular. Assim como Rubinho, fez o que dava diante das limitações exibidas pelo carro que pilotava. Mas dá sinais de que pode virar o “novo Takuma Sato” da F-1.

NICO ROSBERG

MC: Regular. É difícil dizer se um 15° lugar é bom o mau após largar no final do grid…

RL: Regular. Como Hamilton, pagou pelo erro na saída dos boxes canadense. Nono colocado no treino oficial, largou apenas em 19o em virtude de punição pelo acidente. Prejudicado ainda pelo rendimento enfadonho da Williams na França.

SÉBASTIEN BOURDAIS

MC: Regular. O piloto precisa melhorar.

RL: Regular. Correndo em casa, Bourdais fez o correto: colocou a faca entre os dentes e buscou, ao menos, acompanhar o ritmo do veloz companheiro de time, Vettel. Até obteve algum sucesso nisso. No treino de sábado, ficou apenas pouco mais de dois décimos atrás do alemão. Mas o motor Ferrari do carro número 14 falhou em dado momento da corrida e atrapalhou o francês. Daí, restou passear pela pista conterrânea; e fora também, nos instantes em que quis andar mais que o bendito STR permitia…

GIANCARLO FISICHELLA

MC: Ruim. O carro precisa melhorar.

RL: Regular. Como conceituar um piloto na pior escuderia da F-1? Simples: comparando-o com o rendimento do companheiro de equipe, desde que, claro, ambos pilotos pareçam ter “privilégios” semelhantes lá dentro. Isso ocorre na Force India. E, em Magny-Cours, Fisico superou Sutil desde o primeiro treino de sexta-feira. Pena que isso seja quase nada, uma vez que o carro do time anglo-indiano está fadado às últimas filas das provas de F-1 – quase sempre à última. Ah, se Fisico tivesse superado os companheiros de time nos tempos de Renault…

ADRIAN SUTIL

MC: Ruim. Cadê o alemão da Force India que quase fatura um quarto lugar nas ruas do Mônaco nesse ano?

RL: Regular. Já teve dias melhores mesmo com um carro tão pouco ou até menos competitivo.

JENSON BUTTON

MC: Ruim. Embora seja muito melhor que 2007, a temporada atual parece mais outra para a Honda e seus pilotos esquecerem.

RL: Péssimo. Se em Magny-Cours já seria difícil extrair alguma coisa de um carro da Honda inteirinho, imagina então tentar algo com o monoposto dotado por problemas de dirigibilidade – oriundos de toque no STR de Bourdais?! Foi o único piloto a não receber a quadriculada na França.

ELE Ë O CARA! (Ou seria “Eles são os caras”…?!)

MC: Grupo de pilotos argentinos na FIA GT. Por primeira vez na história, quatro pilotos argentinos finalizaram na zona de pontos na FIA GT. No circuito de Adria, na Itália, José María López e Esteban Tuero (Ferrari 550 Maranello) faturaram a oitava posição na classe GT1, enquanto Matías Russo e Luis Pérez Companc (Ferrari F430) atingiram o sétimo lugar na classe GT2.

RL: Felipe Massa. Não é para menos! Tornou-se o primeiro brazuca a vencer um GP francês de Fórmula-1 desde 7 de julho de 1985, quando Nelson Piquet, a bordo de um Brabham-BMW, faturou etapa realizada em Paul Ricard. De quebra, também é o primeiro tupiniquim a pontear o Mundial de Pilotos nos últimos 15 anos. Após vitória no GP de Mônaco de 1993, Senna superou Alain Prost (Williams-Renault) na pontuação e lideraria um campeonato pela última vez na carreira até a etapa seguinte, realizada duas semanas depois, no Canadá.

PAPO DE HERMANOS

Catania: “Sobre o jogo entre Brasil e Argentina, vai aí uma fórmula aritmética: 90 minutos – 22 jogadores – 2 treinadores – 66 faltas = 0 gol”

Ligeiro: “Vai então outra matemática: Sujeito dissimulado + milhões de Euros em salários por temporada + falta de profissionalismo = qualquer coisa, exceto jogador digno de Seleção Brasileira”.

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