GP Inglaterra: E o vento levou
Hermanos Velozes Edição 3
Durou apenas um GP a liderança isolada de Felipe Massa na classificação da atual temporada de Fórmula-1. Em Silverstone, palco da nona das 18 etapas de 2008, o vilão de nosso Massa foi o vento. Aliás, logo que saltou do carro após um frustrante nono lugar no treino oficial, no sábado anterior à etapa inglesa, o brasileiro reclamou do vento.
Pode parecer choramingo do pequenino rapaz de Botucatu. Mas Felipe não proferiu nenhuma estupidez. Velocidade e direção do vento, por exemplo, influenciam o comportamento de um monoposto de F-1: da frenagem à retomada de velocidade; do contorno nas curvas à imposição da potência do motor. E no caso (ou seria carro?!) de Massa, influenciou para pior.
Com a “ventania”, o Ferrari número dois do brazuca mostrou-se desequilibrado, algo que anulava consideravelmente a força do motor italiano. E num circuito como Silverstone, com longas retas e várias curvas contornadas sob alta velocidade – especialmente as presentes no primeiro trecho de cronometragem, falta de equilíbrio no bólido é a terceira pior coisa que pode acontecer a um piloto. As outras são acidente e a cassação da superlicença – embora a última seja tão difícil de acontecer quanto ver um bendito sujeito acertar, em somente um sorteio, o time e os números da Timemania.
No domingo, o vento soprou novamente. Caprichoso, dessa vez, levou nuvens cinzentas ao circuito inglês e a corrida, na maioria do tempo, foi realizada sob chuva. Mais uma péssima notícia para Felipe, que se com pista seca já tinha problemas com o carro, na molhada então… Andou sempre nas últimas colocações e cometeu quatro deslizes, além das – agora – corriqueiras lambanças da Ferrari nos pits. Mas para o Brasilzão, a chuva na Inglaterra ao menos serviu para levar um velho rosto ao pódio: Rubens Barrichello chegou em terceiro lugar e lavou a alma do País e da Honda. Bruno Senna e Lucas di Grassi brilharam nas preliminares, pela GP2, e concedem a esperança de que a nova geração tupiniquim promete muito na Fórmula-1.
Por fim, claro, o vento sopra novidades por aqui, na América do Sul. Tanto que a coluna Hermanos Velozes deixou o aluguel e ganhou casa própria. O endereço é http://www.hermanosvelozes.esporteblog.com.br. Lá você encontra nossos artigos e outros conteúdos bacanas sobre Brasil e Argentina. Essa não é a única novidade, mas vamos esperar um pouco mais para anunciar a outra. Afinal, vai que o vento leva…
Maximiliano Catania: Ótimo. Fez tudo bonitinho no domingo. Mais uma demonstração de que ele é mais do que um piloto bom de braço na chuva.
Rafael Ligeiro: Ótimo. Quase crucificado pela imprensa inglesa após os erros em Montreal e Magny-Cours, Hamilton deu a volta por cima em Silverstone. Mostrou uma tocada rápida e precisa em praticamente todos os instantes da corrida, inclusive quando chovia forte sob o circuito inglês. Teve apenas um pequeno deslize: saída de pista na volta 35. Lewis ainda escapou sem problemas da rodada do Force India do retardatário Giancarlo Fisichella, ocorrida bem à frente de seu McLaren número 22. Sorte?! Não. Foi habilidade.
NICK HEIDFELD
MC: Ótimo. A primeira luta de um piloto de Fórmula-1 é com o companheiro de equipe. Nesse quesito, Nick ganhou confiança. Como já disse na primeira edição de Hermanos Velozes (cobertura do GP do Canadá), a vitória está perto dele. Agora, mais um pouco.
RL: Ótimo. Superou, com sobras, o rendimento do embalado companheiro de BMW, Robert Kubica. Largou em quinto lugar, cinco posições à frente do polonês. Depois, fez uma corrida bem ao seu jeitão: sem grandes shows de arrojo, mas com muita constância e habilidade para escapar de confusões. Ingredientes essenciais para o sucesso em uma conturbada prova ocorrida com piso molhado.
RUBENS BARRICHELLO
MC: Ótimo. Sentíamos falta do paulistano no pódio. A combinação talento-experiência-chuva-Ross Brawn ajudou o Rubinho avançar desde o 16° lugar no grid até o terceiro lugar. Parabéns!
RL: Ótimo. Mesmo aos 36 anos, idade avançada ao padrão quase juvenil da F-1, e com um dos carros mais lentos da categoria, mostrou que continua o mesmo dos tempos de Ferrari: quase não comete erros durante as corridas e sabe a hora certa de impor uma condução agressiva. Largou na oitava fila do grid, fez inúmeras ultrapassagens, muitas belíssimas, e faturou o primeiro pódio em três temporadas pela Honda. Merece carro melhor.
KIMI RÄIKKÖNEN
MC: Bom. Embora não fosse o dia da Ferrari, o finlandês salvou a honra da equipe italiana ao brigar com pilotos com melhor “astral” no GP – Kovalainen e Alonso.
RL: Bom. Poderia ser mais um piloto a ser conceituado como ótimo, mas a Ferrari jogou fora a corrida de seus comandados ao manter, após a primeira bateria de pits, os mesmos pneus do início da corrida. Até então, Kimi acompanhava bem o ritmo de Hamilton – estava pouco mais de um segundo atrás do inglês antes do primeiro pit. Depois da lambança ferrarista, com um carro instável, rodou duas vezes. No entanto, se manteve na pista. E salvou um quarto lugar.
MC: Bom. Talvez poderia ele ter aproveitado mais um pouco o fato de partir no primeiro lugar do grid, mas ele perdeu a luta contra Lewis Hamilton, e depois disso a corrida foi difícil para ele. Pressionado pelo conterrâneo Räikkönen, além de Nick Heidfeld e companhia. No final da corrida, Kova ultrapassou Fernando Alonso e mostrou que sua primeira pole position não foi casual.
RL: Regular. Primeiro colocado na segunda sessão de treinos da sexta-feira, cravou a primeira pole na F-1, no sábado, com sobras. Webber, o segundo no grid, foi cinco décimos de segundo mais lento que o finlandês. Tinha excelente acerto no carro para piso seco e a esperança de lutar também pela primeira vitória. Mas… A chuva gracejou no domingo e Heikki, apesar de resistir algumas voltas na liderança, caiu gradativamente de rendimento. Como o compatriota Kimi, rodou duas vezes. Teve de se contentar com o quinto posto.
FERNANDO ALONSO
MC: Bom. O carro do espanhol se adaptou bem ao piso molhado. E isso foi graças á experiência do Alonso. Já no final da corrida, a “queda” no rendimento do carro não foi culpa dele.
RL: Regular. Ao início da corrida, ocupou até a quarta colocação. Mas, igualmente a Kovalainen, sumiu ao longo das voltas. Recebeu a quadriculada em sexto lugar, mesma posição obtida no treino de sábado.
JARNO TRULLI
MC: Bom. Continua no bom caminho e proporcionou á Toyota mais dois pontinhos dourados no Mundial de Construtores.
RL: Bom. Em boa fase (tendo em vista não ter em mãos McLaren, BMW ou Ferrari, os melhores carros do certame), Trulli pontuou pela terceira vez consecutiva no ano. Faturou dois pontos referentes ao sétimo posto, posição obtida apenas na última volta, com ultrapassagem sobre Nakajima. Praticamente não cometeu erros incisivos durante a corrida, embora não tenha se dado bem na loteria da troca de pneus. Já soma quatro vezes mais pontos que o companheiro de Toyota, o alemão Timo Glock, na temporada: 20 a cinco.
KAZUKI NAKAJIMA
MC: Bom. Com a Williams jogando em casa, o japonês fez bom trabalho dando ao titio Frank um lugar entre os oito primeiros colocados da corrida.
RL: Bom. Pequenos deslizes durante a corrida, mas sobreviveu às confusões de Silverstone. E sobreviveu com um importante pontinho no bolso. Agora, Kazuki soma oito pontos na temporada, mesmo número do companheiro de Williams, o badalado Nico Rosberg.
NICO ROSBERG
MC: Regular. Nico deveria estar brigando por pódios nesse ano. O que acontece com ele? Será o carro?
RL: Regular. Largou dos boxes, na 20a colocação. Brigaria por pontos não fosse o pit stop fora da previsão para troca do bico do Williams número sete, danificado em um acidente. Na volta 40, Nico encheu a traseira da Toyota de Timo Glock. Mas vá lá um desconto ao filho de Keke Rosberg: a visibilidade era praticamente nula àquela altura por conta da forte chuva que assolava o circuito inglês.
MARK WEBBER
MC: Regular. Segundo lugar no treino de sábado, mas apenas erros no início da corrida. Acordou tarde.
RL: Regular. Conquistou a melhor posição de largada da Red Bull na Fórmula-1. Encontrou bom acerto para o piso molhado e tinha excelente perspectiva à corrida. Mas jogou tudo fora ao rodar na primeira volta e cair à última posição.
SÉBASTIEN BOURDAIS
MC: Bom. Na chuva, merece prêmio quem fica na pista sem rodar…
RL: Regular. Se não brilhou ao longo do GP, com ultrapassagens arrojadas, também não foi “flagrado” passeando fora da pista.
TIMO GLOCK
MC: Regular. Deveria andar mais adiante no pelotão.
RL: Regular. Superou Trulli nos treinos de sexta e sábado. Na prova, Glock até apresentava rendimento semelhante ao do italiano. Mas foi atropelado pelo compatriota Rosberg e perdeu qualquer possibilidade de pontuar.
FELIPE MASSA
MC: Ruim. Não foi tudo culpa dele. A Ferrari não deu certo em Silverstone, errando com a escolha de pneus e o equilíbrio do carro. Felipe foi vítima disso e também de erros próprios. Olhando o lado positivo, ele ainda está no topo do Campeonato de Pilotos.
RL: Péssimo. Concordo com o comentarista que acima vos escreveu. A Ferrari mostrou-se ridícula na Inglaterra. Mas Felipe ficou muito abaixo do companheiro de time Räikkönen. Além disso, rodou três vezes e escapou da pista em uma ocasião. Entre aqueles que receberam a quadriculada, foi o último colocado.
ROBERT KUBICA
MC: Regular. O polonês parecia lutar por um lugar no pódio mas a caixa de brita parou sua “escalada” na metade do GP.
RL: Regular. Apenas 10o colocado no grid, mostrou uma tocada bastante agressiva no GP. Ocupou até o terceiro posto e dava pinta de que voltaria à liderança do Mundial. Mas abandonou, após rodar.
JENSON BUTTON
MC: Regular. É necessário mais uma prova sequer de que 2008 não é o ano do Jenson?!
RL: Ruim. Tinha rendimento apenas pouco inferior ao do companheiro de Honda, Barrichello, e brigava por um lugar na zona de pontos. Mas frustrou a torcida inglesa mais uma vez ao abandonar a prova após uma saída de pista, na volta 38.
MC: Regular. Veloz na chuva, só cometeu um erro. Resultado: a caixa de brita.
RL: Bom. Faturou sua melhor posição de largada nessa primeira metade da temporada (sétimo lugar), imediatamente atrás de Alonso. Na corrida, confirmou a fama de ser rápido na chuva e, durante inúmeras voltas, se mostrou mais rápido que o espanhol. Abandonou após rodar, mas, ao menos, mostrou que continua em plena evolução nesse começo de caminhada na F-1.
GIANCARLO FISICHELLA
MC: Péssimo. Não é o ano da Force India. Ou não é o ano de Fisichella?!
RL: Ruim. Reconhecidamente um piloto veloz com pista molhada, Fisichella, dessa vez, nem pôde fazer muita coisa. E, durante o deslize que tirou-lhe da corrida, ainda quase acertou Hamilton.
ADRIAN SUTIL
MC: Péssimo. Infelizmente, não foi o final de semana dele.
RL: Ruim. Superou Fisichella no treino de sábado. Mas rodou sozinho e abandonou.
MC: Regular. Pena que ele não passou da primeira volta!
RL: Regular. Marcou presença entre os oito primeiros colocados em todos os treinos. Largou na quarta fila e tinha excelente chance de ser um dos destaques da corrida, uma vez que acumula excelentes performances em corridas realizadas com chuva. Mas bateu com Coulthard, a quem deve substituir na Red Bull em 2009, pouco após a largada.
DAVID COULTHARD
MC: Péssimo. Estava pensando na aposentadoria no momento da colisão com o Vettel?
RL: Ruim. Good bye!
ELE Ë O CARA! (Ou seria “Eles são os caras”…?!)
MC: Bruno Senna (GP2). Ganhou a segunda corrida da GP2 no circuito de Silverstone (com chuva) no domingo. Esteve perto de vencer a primeira bateria, no sábado, mas problemas com o equilíbrio do carro afastaram o brasileiro do pódio…
RL: Lucas di Grassi (GP2, para variar!). Retorno muito consistente à GP2. Acumula três segundos lugares em quatro corridas disputadas e, mesmo sem disputar as seis primeiras etapas do campeonato, já é quarto na tabela de pontos. Se Pantano e Senna bobearem, di Grassi entra na briga pelo caneco de 2008.



Deixe a sua opinão: