Simplifica, tio Bernie
Bastou Felipe Massa perder o título da temporada 2008 com uma vitória a mais ao longo do ano que o campeão, o inglês Lewis Hamilton, para renascer a discussão sobre o regulamento de pontos na Fórmula-1. Prova disso é que Bernie Ecclestone propôs à turma da FIA a adoção de um molde semelhante ao das Olimpíadas, com distribuição de medalhas aos três primeiros colocados de cada Grande Prêmio. Ao final do ano, o piloto com maior número de medalhas de ouro ficaria com o título. O intuito do todo-poderoso da Formula One Management (FOM) é, em reunião prevista para dezembro, convencer membros do Conselho Mundial da FIA de que tal regulamento valoriza a disputa pela vitória nas corridas.
De fato, tio Bernie tem razão ao reclamar do atual sistema de pontuação da Fórmula-1. No entanto, bem que poderia simplificar a proposta. Ao invés de medalhas, por que não conceder 12 pontos ao primeiro colocado nas provas de 2009? Mais que eminente perspectiva de aumento na briga pelo triunfo num GP, tal atitude concertaria uma regulamentação que tornou-se obsoleta à F-1. Resquício de algo surgido no final de 2002 quando, sob latente domínio da Ferrari, a FIA desenvolveu códigos para equilibrar o certame. Mais que estender a zona de pontuação das corridas do sexto ao oitavo posto, a vantagem do vencedor ao segundo colocado foi reduzida de quatro para dois pontos.
Vale ressaltar que o cenário da categoria nos últimos dois anos, especialmente em 2008, foi distinto ao presenciado no início dessa década. O time italiano, embora forte, mostrou-se sequer à sombra daquele que barbarizava a concorrência com Michael Schumacher. Além de uma rival à altura, a McLaren, tem BMW e Renault constantemente nos calcanhares. E a expectativa é de equilíbrio na temporada vindoura. Além das quatro grandes encerrarem 2008 em nível similar – apesar de sensível queda da BMW no final da temporada, as alterações no pacote técnico dos carros e a redução da quilometragem em testes dão ar quase lotérico para as primeiras provas de 2009.
Curiosamente, engana-se quem pensa que minha humilde proposta tornaria a disputa pelo título menos excitante. Sob tal estatuto, Lewis Hamilton chegaria à etapa derradeira de 2008, em Interlagos, com os mesmos sete pontos de vantagem a Felipe Massa. Mas, ao invés de um quinto posto, Hamilton só garantiria o caneco com um segundo lugar. Portanto, certamente veríamos um inglês com pilotagem bem menos burocrática que a exibida ao longo da etapa disputada em outubro, algo que aumentaria mais o espetáculo no circuito paulistano.
Bem além de qualquer disputa, a FIA precisa rever o regulamento de pontos ainda por um motivo simples: a vitória é, indiscutivelmente, o principal resultado que um piloto pode obter num fim de semana de GP. Portanto, chega a ser injusto que a vantagem do primeiro ao segundo colocado seja igual a do segundo ao terceiro colocado. Até mesmo no automobilismo dos estadunidenses, tão adeptos ao equilíbrio nas pistas, há um sistema que beneficia ao vencedor.
Na Indy Racing League, o triunfo vale 50 pontos. O segundo posto fatura 40, cinco a mais que o terceiro. É uma pontuação flutuante por conta dos três pontos concedidos por etapa ao piloto que acumula maior número de voltas na liderança. Desse modo, o saldo do campeão ao vice-campeão de uma prova pode ser um pontinho menor que do segundo ao terceiro; mas também pode ser 650% superior. Em tempo: os vencedores de oito das 18 etapas oficiais da Indy no ano faturaram maior número de voltas no comando dos respectivos eventos, algo ocorrido apenas cinco vezes com segundos colocados.
Por tudo isso é que não tenho dúvidas ao solicitar: Simplifica o regulamento, tio Bernie! Simplifica, moçada da FIA!



November 29th, 2008 at 02:00
Perfeito. É preciso rever a pontuação. Mas medalhas é demais né?