O PILOTO X, n. 37 – As tragédias de Didier Pironi
É estranho como às vezes ocorrem tragédias em sequência com uma determinada pessoa. Ocorreu comigo, por exemplo. Em 2002, houve o sequestro do meu filho; em 2003, a morte da minha primeira mulher; em 2004, o câncer do meu pai.
E o curioso é que quase sempre essas tragédias estão interligadas, em um processo de causa e efeito. O sequestro do meu filho foi uma das causas da morte da minha mulher e ambos os episódios certamente causaram o câncer do meu pai.
Por isso, quando me lembro da história do piloto Didier Pironi, penso que a morte de Gilles Villeneuve, a de Ricardo Palleti, o acidente do próprio Pironi na Ferrari e posteriormente sua morte em uma lancha são fatos interligados.
Tudo começou no GP de San Marino, em 1982. Pironi ultrapassou Villeneuve no final da corrida, contrariando ordens da equipe Ferrari. Gilles se sentiu profundamente traído pelo amigo, o mesmo amigo com quem tinha uma convivência muito próxima na Ferrari e principalmente em Monte Carlo, onde moravam.
Segundo testemunhas, o ato de Pironi foi para Gilles uma traição que o desequilibrou emocionalmente. Ressentido, duas semanas depois, no GP da Bélgica, ele se recusou a cumprimentar Pironi. Foi quando na disputa pela pole Gilles sofreu o terrível acidente que lhe tirou a vida.
Penso que a morte horrível de Villeneuve afetou psicologicamente Pironi. Remorso, arrependimento? Pode ser. O fato é que naquele mesmo ano ocorreram mais duas tragédias envolvendo o piloto. No GP de Montreal, Pironi deixou o carro morrer na largada, provocando o acidente que matou Ricardo Paletti, cujo corpo ficou carbonizado. Posteriormente, em Hockenheim, o próprio Pironi bateu a 290 Km/h na traseira da Renault de Alain Prost. A Ferrari voou a mais de dez metros de altura e a violência do choque quase amputou as pernas do piloto.
Foi um acidente muito parecido com o que matou Gilles. Pironi sobreviveu, mas nunca mais pode pilotar na Fórmula 1 e então passou a correr de lanchas, onde morreria poucos anos depois, juntamente com mais dois tripulantes de sua embarcação, Bernard Giroux (duas vezes vencedor do Paris-Dakar como co-piloto de Ari Vatanen) e Jean-Claude Guénard, um ex-engenheiro da Ligier.
A viúva de Pironi, Catherine, estava grávida de gêmeos quando aconteceu sua morte. Em um atitude marcante, ela fez uma homenagem aos dois ex-pilotos da Ferrari que um dia foram amigos. Os meninos foram batizados de Didier e Gilles, numa prova de que até das piores tragédias pode-se tirar algo de belo.
Um abraço do Piloto X. Paz.
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December 13th, 2009 at 00:41
Quem faz mal aos outros so tem este tipo de fim